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“Pedra na Vesícula”: quando a cirurgia é necessária?

18/11/2019

15:09:28

 "PEDRA NA VESÍCULA: QUANDO A CIRURGIA É NECESSÁRIA"?

Por: Dr. André Gusella – Cirurgião Geral e especialista em Endoscopia 👨‍⚕
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva - SOBED 

 A presença de cálculos (popularmente chamados de “pedras”) dentro da vesícula biliar caracteriza uma condição chamada de Colelitíase, ou “pedra na vesícula”, como é mais conhecida fora da área médica. Este problema de saúde é frequente, atingindo cerca de 10% dos adultos e 20% dos idosos com mais de 65 anos, sendo mais comum em mulheres. Outros fatores de risco são: obesidade, idade avançada, a dieta padrão ocidental, rica em alimentos processados e gordurosos, perda de peso rápida e histórico familiar.

 O principal sintoma da pedra na vesícula é a cólica biliar. Ao contrário do que se diz popularmente, sintomas de intolerância a alimentos gordurosos ou dispepsia (sensação de dor ou desconforto na parte superior do abdome; muitas vezes recorrente e descrita como indigestão, gases, sensação de estufamento ou queimação) não são decorrentes dos cálculos na vesícula, e precisam ser investigados e tratados à parte.

 Os cálculos na vesícula biliar são basicamente de dois tipos. Mais de 85% são cálculos de colesterol. Se formam a partir da supersaturação da bile por colesterol, formando microcristais sólidos. Já os cálculos pigmentados pretos são pequenos, duros e compostos de bilirrubinato de cálcio e sais de cálcio inorgânicos.

 Os cálculos na vesícula podem causar algumas complicações. Além das dores que podem ser acompanhadas por náuseas e vômitos, as consequências mais sérias são a colecistite (inflamação da vesícula) coledocolitíase (obstrução do trato biliar ocasionada pelos cálculos), colangite (inflamação dos canais biliares) e a pancreatite biliar (inflamação do pâncreas devido à passagem de cálculos da vesícula).

 O diagnóstico da colelitíase (pedra na vesícula) começa na consulta, quando o médico verificará os sintomas e fará alguns exames clínicos. No entanto, se faz necessária a ultrassonografia abdominal para comprovar a existência dos cálculos. Para tratar os sintomas ou complicações dos cálculos, o tratamento é a retirada da vesícula biliar, procedimento chamado de colecistectomia.

 Neste momento, muitas pessoas se perguntam quais as consequências da retirada deste pequeno órgão do organismo. A vesícula serve como um reservatório para armazenamento da bile, produzida e concentrada no fígado, para auxiliar na digestão das células de gordura. Uma vesícula biliar doente, além de não realizar mais a sua função, pode prejudicar o funcionamento dos outros órgãos, por isso existe a indicação da cirurgia. A ausência da vesícula no corpo humano não é prejudicial, apenas dificulta a digestão de comidas com muita gordura. Aliás, não são somente as pessoas que retiraram a vesícula que devem ter prudência na hora de consumir comidas muito gordurosos! Alimentos com alto teor de gorduras são prejudiciais a qualquer um.

 Agora vamos falar da cirurgia. O procedimento é feito no hospital, com anestesia geral. Uma opção é a colecistectomia por via aberta, que envolve uma incisão abdominal grande. O procedimento é seguro e efetivo. No entanto, a maior indicação é a colecistectomia por videolaparoscopia. Usando videoendoscopia e instrumentação através de pequenos orifícios, o procedimento é menos invasivo que uma cirurgia convencional. Permite um período de recuperação menor, reduzido desconforto pós-operatório e melhores resultados estéticos, sem aumento de riscos ao paciente.

 Quando o paciente possui cálculos na vesícula, mas não tem sintomas e queixas, não há indicação da cirurgia. Porém, caso os cálculos sejam grandes (maiores que 3 cm) ou a vesícula esteja calcificada (vesícula de porcelana); há a indicação de retirada do órgão, pois essas condições aumentam o risco de desenvolvimento de câncer na vesícula.

 E como se prevenir? O melhor é adotar bons hábitos de alimentação, que são importantes para a prevenção de qualquer doença. Os órgãos que participam da digestão dos alimentos que ingerimos costumam ser mais diretamente afetados pelo excesso de gorduras e açúcares, por exemplo, o que podem ocasionar problemas como as pedras na vesícula. Mas o corpo humano não é uma “máquina perfeita”, e mesmo quem tem bons hábitos de saúde pode ser acometido pelo problema. Por isso, ao identificar estes sintomas, busque orientação médica. A dor é importante para mostrar que algo não vai bem em nosso corpo, e precisa ser diagnosticado e tratado.

👨‍⚕ Dr. André José Gusella – CRM/RS 26.382
Especialista em Cirurgia Geral (RQE 17.076), e em Endoscopia (RQE 26.095) com formação em Videocirurgia.
📞 Fone: (54) 3324 - 4486

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  Dr. André José Gusella - CRM/RS 26.382

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